quarta-feira, 14 outubro , 2026

Entrevista – João Cobalchini, vereador e presidente do MDB de Florianópolis 

“O MDB tem todas as condições de ter candidato a Governador” 

 

 

A Coluna conversou com João Cobalchini, vereador pela Capital e presidente do MDB de Florianópolis, sobre os projetos do partido, após a ruptura com o governo atual, sua gestão frente à presidência da Câmara de Vereadores e qual o balanço que ele faz sobre a política em âmbito estadual. Confira: 

 

Pelo Estado – Recentemente o MDB surpreendeu ao anunciar o desembarque do projeto eleitoral do Governador Jorginho Mello. Nesse contexto, como você avalia o momento do partido? 

João Cobalchini – Acredito que o MDB tem todas as condições de ter candidato a Governador. Em Santa Catarina, não há outro partido político com a mesma capilaridade do MDB. Confio na liderança de nosso Presidente, Deputado Federal Carlos Chiodini, para assumir essa missão e nos conduzir politicamente neste momento. 

 

Pelo Estado – Vereador, o senhor presidiu a Câmara Municipal de Florianópolis em um período marcado por debates intensos e decisões estruturantes. Que balanço faz dessa experiência? 

João Cobalchini – A Presidência da Câmara me permitiu participar com protagonismo dos grandes debates da cidade. Foram muitos projetos, inovações e iniciativas que mudaram a forma como a população enxerga o Legislativo municipal. Tivemos um período de forte discussão institucional, especialmente em temas sensíveis como o Plano Diretor, sempre buscando equilíbrio, diálogo e responsabilidade. Acredito que essa experiência agregou muito à minha caminhada política e ainda pode contribuir bastante para os desafios futuros. 

 

Pelo Estado – O Plano Diretor foi um dos assuntos mais debatidos da história recente de Florianópolis. Como foi conduzir esse processo a partir da Presidência da Câmara? 

João Cobalchini – Foi um dos momentos mais desafiadores e, ao mesmo tempo, mais importantes da minha trajetória pública. O Plano Diretor exige escuta, técnica e sensibilidade social. Nosso papel foi garantir um processo democrático, transparente e com ampla participação da sociedade. A Câmara assumiu um protagonismo institucional, fortalecendo o debate público e garantindo que diferentes visões fossem consideradas. Esse é um exemplo claro de como o Legislativo pode contribuir de forma qualificada para o desenvolvimento da cidade. 

 

Pelo Estado – Além do debate legislativo, a Câmara também se aproximou mais do cidadão. O que mudou nesse período? 

João Cobalchini – Trabalhamos muito para que a Câmara deixasse de ser vista apenas como um espaço burocrático e se tornasse um verdadeiro balcão da cidadania. Ampliamos o diálogo com os bairros, fortalecemos canais de atendimento à população e modernizamos processos internos. O cidadão precisa sentir que o Legislativo está acessível, atento e disposto a resolver problemas reais do dia a dia. 

 

Pelo Estado – Muitos dos problemas enfrentados por Florianópolis extrapolam os limites do município. Como o senhor enxerga essa relação entre cidade e Estado? 

João Cobalchini – Florianópolis tem desafios que dependem diretamente de decisões em âmbito estadual. Mobilidade é um exemplo claro, especialmente a SC-401, que impacta não só a Capital, mas toda a região. O saneamento, com a atuação da CASAN, e o fornecimento de energia elétrica, com a CELESC, também são temas fundamentais. A cidade precisa de uma voz ativa no parlamento estadual para defender os interesses dos bairros, das comunidades e da população como um todo. 

 

Pelo Estado – O senhor tem uma trajetória política marcada por uma forte herança familiar. Que ensinamentos traz dessa convivência? 

João Cobalchini – Aprendi desde cedo a fazer política com seriedade, equilíbrio e foco em resultados concretos para a população. Acompanhar meu pai ao longo da vida pública foi uma verdadeira escola. Ele sempre teve uma atuação pautada pelo diálogo, pela responsabilidade e pelo respeito às pessoas, valores que carrego comigo e procuro aplicar diariamente na minha atuação. 

 

Pelo Estado – Apesar da forte ligação com o interior do Estado, sua história pessoal é profundamente ligada a Florianópolis. Conte um pouco dessa trajetória. 

João Cobalchini – Vim para Florianópolis com apenas um ano de idade e me criei aqui. Toda a minha infância e adolescência foram vividas no Conjunto Habitacional João Machado Fortes, no final da Avenida Mauro Ramos, ao pé do Morro do Céu. Estudei no Instituto Estadual de Educação, me graduei em Direito pela UNIVALI e fiz pós-graduação em Direito Ambiental no CESUSC. Atuei muitos anos como advogado antes de ingressar na vida eleitoral, e essa experiência me preparou muito para a administração pública. A advocacia é uma função honrosa, essencial para a sociedade, e precisa ser devidamente valorizada pelas instituições do nosso Estado. 

 

Pelo Estado – Mesmo com raízes sólidas na Capital, o senhor mantém uma relação próxima com o interior catarinense. Como isso influencia sua visão de Estado? 

João Cobalchini – Minha vida sempre foi em Florianópolis, mas desde cedo acompanhei meu pai em roteiros pelo interior. Minha segunda casa é Caçador, no Meio-Oeste catarinense, cidade onde ele construiu boa parte de sua carreira pública. Frequentei Caçador desde a infância, tenho amigos e familiares lá, e foi inclusive onde conheci a mãe das minhas filhas. Isso faz com que eu tenha um carinho muito especial pelo Meio-Oeste e pelo interior como um todo. Entendo que o futuro do desenvolvimento de Santa Catarina passa necessariamente pela integração política, cultural e econômica entre o litoral e o interior. 

 

Pelo Estado – A agricultura aparece com força nesse discurso. Qual a importância desse setor para Santa Catarina? 

João Cobalchini – Meu pai nasceu na Linha Presidente Juscelino, em São Lourenço do Oeste, em uma família humilde. Foi agricultor durante toda a infância e juventude, e essa origem sempre pautou sua atuação política. Da mesma forma, reconheço o papel fundamental que agricultores, pequenos e grandes, desempenham no desenvolvimento do nosso Estado. Muitas vezes, especialmente nas grandes cidades, essa realidade é pouco compreendida. A agricultura é a base da economia catarinense, gera renda, empregos e sustenta comunidades inteiras. Essa visão precisa ser mais valorizada. 

 

Pelo Estado – Para encerrar, quais são os grandes desafios que Santa Catarina precisa enfrentar nos próximos anos? 

João Cobalchini – Precisamos investir mais em infraestrutura, especialmente em mobilidade e logística. O trânsito nas cidades, as rodovias estaduais e federais, o saneamento e a energia elétrica são temas que impactam diretamente a qualidade de vida das pessoas e a competitividade do Estado. Também é fundamental fortalecer a integração entre regiões, reduzir desigualdades e garantir que o desenvolvimento chegue a todos. A política precisa estar conectada com a realidade das pessoas e preparada para entregar soluções concretas. 

 

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